O que realmente um anti-spyware faz é mais do que remover softwares espiões. Alguns removem cavalos-de-tróia, cookies e outros programas. As grandes empresas de segurança estão querendo definir o que é um anti-spyware e como avaliar um programa anti-spyware. Mas o qual é realmente o objetivo de um programa anti-spyware?

Quase todos já se conformaram com a idéia de que o mercado para remover softwares espiões é diferente do mercado antivírus. Além de iniciativas para definir exatamente o que é spyware, as grandes empresas de segurança estão também querendo padronizar as ferramentas de proteção.

A definição de spyware que todos procuram é uma definição onde não estão incluídos somente os softwares espiões, mas sim todos os programas removidos por anti-spywares. Isso porque o que os anti-spywares fizeram durante todos esses anos foi aconselhar o usuário a retirar programas ruins e não apenas remover softwares maliciosos ou cavalos-de-tróia.

O objetivo dos softwares anti-spywares sempre foi detectar softwares potencialmente indesejados. Pode-se dizer que o fato de que esses softwares indesejados também espionam o usuário foi uma coincidência e também a causa da confusão ao redor do termo spyware. É muito fácil encontrar pessoas chamando softwares indesejados de spyware, mesmo porque as definições se cruzam constantemente.

Com a popularização da Internet, muitas empresas estão tentando vender ou divulgar programas de baixa qualidade, que geram lucros usando métodos pouco éticos, que violam a privacidade do usuário ou que se recusam a se desinstalar. Foi o aumento no número de softwares desse tipo que popularizou a indústria anti-spyware para ajudar o usuário a ficar longe de programas “picaretas”.

Infelizmente, muitos usuários estão confundindo a funcionalidade dos programas e dizem que os anti-spywares é que deviam remover cavalos-de-tróia como os Bankers (que roubam senhas de banco), o que não é verdade. Cavalos-de-tróia que roubam dados existem muito antes de qualquer anti-spyware se popularizar e os antivírus sempre detectaram e removeram esses programas sem precisar criar uma “nova indústria” para isso.

O problema com a definição de spyware e o motivo da criação da nova indústria está na classificação dos softwares potencialmente indesejados. Como saber qual software é indesejado e qual não é? Definir esse critério sempre foi o diferencial dos programas anti-spywares: os produtos que conseguem “acertar” quais os softwares que a maioria dos usuários não quer é que são considerados os melhores. Se as empresas padronizarem o critério dos softwares indesejados, qual será o diferencial utilizado no futuro?

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Escrito por Altieres Rohr

Jornalista e tradutor. Editor dos sites Linha Defensiva e Garagem 42 e colunista de Segurança Digital no portal G1 da Rede Globo.