A segunda edição da competição PWN to OWN, na conferência de segurança CanSecWest (Vancouver), teve início nesta quarta-feira (26/03) e durou mais dois dias, terminando na sexta (28). Neste ano, três laptops foram disputados: um MacBook Air, com OS X, um Sony VAIO rodando Ubuntu Linux e um Fujitsu operando com Windows Vista Ultimate SP1. Como no ano passado — quando 2 MacBooks estavam em disputa –, quem conseguisse invadir um dos computadores com uma falha “dia zero” (uma brecha nova e desconhecida) poderia levar a máquina e um prêmio em dinheiro. Dos três laptops, apenas o Sony VAIO com Ubuntu sobreviveu aos 3 dias da competição.

O evento foi organizado pela equipe do Zero Day Initiative [ZDI] da TippingPoint. O ZDI compra informações de vulnerabilidades que ainda não possuem correção (“dia zero”) para proteger seus clientes dessas falhas. Como regra, qualquer brecha usada na competição deve ter seus detalhes revelados à TippingPoint, que então tem a responsabilidade de entrar em contato com o fabricante responsável para que uma correção seja disponibilizada.

No primeiro dia (quarta-feira), somente ataques remotos (por rede) eram permitidos. Os três sistemas sobreviveram. Se algum fosse comprometido, o prêmio — além do laptop — seria de 20 mil dólares.

No segundo dia, ataques por alguns programas comuns de internet — navegadores web, clientes de e-mail e mensageiros instantâneos — que acompanham os sistemas foram permitidos. Neste dia, o MacBook Air foi comprometido 2 minutos após o início da competição por meio de uma brecha no navegador web Safari. O responsável pela invasão foi o pesquisador Charlie Miller em conjunto com outros especialistas da empresa Independent Security Evaluators [ISE].

Seguindo instruções de Miller, os juízes da competição abriram um website no MacBook Air contendo o código desenvolvido pelo especialista. Uma vez aberto o website, Miller obteve o controle do sistema.

Os laptops rodando Vista e Linux sobreviveram ao segundo dia e tiveram de encarar o terceiro, quando plugins de navegador e outros programas comuns foram liberados. Por meio de uma falha no Flash Player da Adobe — comumente instalado nos navegadores –, Shane Macaulay (o mesmo que em 2007 auxiliou Dino Dai Zovi no ataque ao MacBook) conseguiu acesso ao laptop com Windows Vista e o levou para casa, além de um prêmio de 5 mil dólares.

De acordo com uma reportagem do IDG News Service, Macaulay tentava obter acesso ao laptop com Vista já na quinta-feira, mas não obteve sucesso. Macaulay contou com a assistência de Alexander Sotirov e Derek Callaway.

No fim do terceiro dia (e da competição), o laptop com Ubuntu foi o único que sobreviveu. Todos os sistemas usados na competição estavam em suas versões mais recentes e com todos os patches aplicados.

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Escrito por Altieres Rohr

Jornalista e tradutor. Editor dos sites Linha Defensiva e Garagem 42 e colunista de Segurança Digital no portal G1 da Rede Globo.

5 comentários

  1. E tem gente que contesta a superioridade da segurança de sistemas baseados em linux. Além do mais, se achasse uma falha no Ubuntu, a não ser que fosse do kernel, ainda haveriam mais umas 328765428687 distribuições pra hackear…

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  2. O Linux apenas foi ignorado, não significa que seja mais seguro…

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  3. OSGod

    Os 3 laptops tiveram participantes tentando obter acesso durante os 3 dias, especialmente nos dois últimos.

    O próprio Macaulay tentou usar o mesmo exploit do Flash no Ubuntu. Mas ele admitiu que código vai precisar de refinamento antes que rode no Linux. No entanto, o fato de que ele conseguiu fazer o exploit funcionar primeiro no Vista (mesmo sem testá-lo previamente no SP1, como informou a alguns repórteres) nos diz alguma coisa.

    O prêmio era exatamente o mesmo para os 3 laptops. Não faz sentido alguém ignorar qualquer coisa aqui. (Usando o próprio argumento da “ignorância”, pode-se dizer que algo teria sido ignorado por ser difícil demais de quebrar, não? Por isso este argumento não diz nada, mesmo se fosse verdade.)

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  4. Considero que ninguem deixou nenhum sistema de lado, além de poder ganhar o prêmio, se descobrisse alguma brecha no Linux, ele seria bem mais reconhecido do que os outros. Mas notasse que o Ubuntu tem tido forte participação da comunidade no quesito segurança, mas acho que ainda dá pra aproveitar brechas no Linux usando o alguma falha no Firefox.

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  5. Interessante que foi o MAC OS X que caiu primeiro, devido a uma falha no navegador safari, ou seja, se o navegador utilizado no mac fosse o firefox, provavelmente o mac teria passado ileso a mais um dia ou até mesmo ganhado junto com o Ubuntu.

    O fato do windows vista suportar 2 dias foi interessante. Lendo a notícia, pensei que ele seria o primeiro a cair.

    E está mais que confirmado que segurança = linux.

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