Notícia do IDG News Service: clientes do provedor de internet banda larga OCN, do Japão, terão, a partir do início de agosto, um “limite” de tráfego upload de 30GB por dia, para um total de 900GB por mês. Não há limites de download. E, antes do internauta ter a conexão suspensa, ele será avisado que excedeu o limite.

A pergunta mais óbvia nesse caso é: se estão impondo este limite, é óbvio que existem clientes que usam ainda mais que isso. Mas que tipo de aplicativo utiliza tanto tráfego?

Depois que a rede de P2P WinMX — que foi muito popular no país — acabou, japoneses fizeram um sucessor chamado Winny (“WinNY”, M->N, X->Y). Além de ter poderosos recursos de anonimidade, o Winny funciona de forma muito diferente dos programas P2P que conhecemos aqui no ocidente: ele possui downloads automáticos.

Primeiro é definido uma lista de palavras-chave. Estas definem a lista de arquivos que será obtida na rede. Depois são definidas as palavras de download, de fato: se uma destas palavras estiver nos arquivos obtidos na lista originada pela busca das palavras-chave, o arquivo será baixado sem a necessidade de confirmação. Quanto mais baixar e enviar, mais arquivos serão retornados na busca pelas palavras chave, o que aumenta chances do arquivo que realmente se quer (ou arquivos relacionados) serem encontrados e baixados.

Isso significa que o cliente P2P baixa e envia conteúdo da rede sem parar. Não existe a necessidade de compartilhar arquivos específicos como nos P2P daqui. Em vez disso, os arquivos ficam em um cache, o que significa que, depois de baixado, é possível apagar os arquivos (no caso de músicas, até trocar as tags) e o arquivo original baixado continuará na rede, garantindo assim a disponibilidade. Em outras palavras, sempre haverá duas cópias de um arquivo, o que significa que não apenas o uso da rede, mas o uso do disco é muito maior.

Os downloads automáticos são um paraíso para worms. Eles se espalham sem problemas, pois o worm não precisa ser executado, nem especificamente baixado, para continuar disponível na rede. E, mesmo depois de apagado do disco, o worm ainda fica no cache do programa. No caso do Winny, o worm mais comum chama-se Antinny.

O Winny não recebe novas atualizações e sua última versão possui uma grave falha de segurança. Mas o programa já ganhou dois sucessores: um se chama Share e é agora um P2P muito comum no Japão. O sucessor mais recente chama-se Perfect Dark. Os autores destes, para não terem o mesmo destino do criador do Winny — que foi preso –, são anônimos.

A velocidade mínima de upload no Perfect Dark é 100KB/s . Isso, com B maiúsculo mesmo — mais do que a grande maioria das conexões brasileiras permite no upload. Já o tamanho mínimo do cache — arquivos que ficam no HD mesmo depois de apagados para serem servidos na rede — é 40GB. Ou seja, nada de HDs pequenos.

Já sabendo como eles usam as poderosas conexões que possuem, fica porém uma dúvida: que segredo o Japão tem para conseguir impor limites diários em conexões baratas (46 dólares, de acordo com o IDG) que nós brasileiros mal conseguiríamos atingir em um mês inteiro no uso ininterrupto de nossas conexões? Meu upload é de 512kbps, efetivamente uns 50KB/s, e conseguiria enviar no máximo 4GB de diariamente, praticamente 1/8 do “limite” japonês. E minha conexão, convertendo o preço em dólares da conexão de lá, custa o mesmo.

Muito se ouve a respeito da extensão territorial brasileira — que isto dificulta e encarece a atualização e a manutenção da infra-estrutura. Porém, mesmo nas metrópoles, onde a densidade demográfica não é um problema, não é possível encontrar conexões domésticas que enviem dados nesta velocidade, muito menos nesta faixa de preço.

Vale notar que não afirmo aqui que todas as conexões no Japão fazem uso destes programas. Citei-os como exemplos de aplicativos japoneses que fazem uso de toda a capacidade de transmissão que existe somente lá e em alguns poucos outros países. A reportagem do IDG, linkada acima, no entanto, diz que o principal objetivo do “limite” é impedir que utilizadores de programas P2P causem problemas na rede para os demais.

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Escrito por Altieres Rohr

Jornalista e tradutor. Editor dos sites Linha Defensiva e Garagem 42 e colunista de Segurança Digital no portal G1 da Rede Globo.

6 comentários

  1. Você é feliz e não sabe.

    Aqui em Juiz de Fora o máximo que conseguimos é uma conexão de 1MB (Velox), com Upload de 30KB/s e Download de 100KB/s e, por isso, pagamos R$ 250 (empresarial – com desconto devido a fidelidade).

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  2. Ricardo

    Meu download é de apenas 600kbps. Creio que, entre os planos na Brasil Telecom, o meu é um dos que mais tem upload. Minha conexão custa um pouco mais que a japonesa se convertido diretamente o preço, mas todos sabemos que essas conversões nunca funcionam e sempre pagamos mais, então digo que, se convertido com o “custo Brasil” adicionado, seria o mesmo.

    Esse vagaroso upload que é presente na maioria das conexões é um crime ao meu ver, porque é como se a internet fosse como a TV ou rádio em que você só baixa o conteúdo e não envia nada.

    A internet é interativa e precisa de upload para que todos possam colaborar com a rede enviando dados também.

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  3. Altieres, concordo com você.

    Não sei no caso da BrT, mas no Velox, quando colocamos para fazer upload de qualquer arquivo (até mesmo um simples envio de e-mail com anexo), a taxa de download é absurdamente diminuida. Só para variar, a Telemar nega que faça qualquer alteração nas taxas.

    Mas, vamos vivendo assim…

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  4. Exatamente! Sei q a febre nos dias de hj são os programas P2P. Legal! Mas analisem meu caso aqui onde moro. Nagoya – Japão.
    Alguns meses atrás, recebemos a proposta de instalar fibra ótica no prédio onde moramos. Só q precisávamos de, no minimo, 6 (seis) contratos/moradores para q a empresa pudesse efetuar a instalação. Foi fácil, pois a largura de banda chega a 50/100 Mbps. Tudo foi festa no principio até q, alguns usuarios mais afoitos, começaram a abusar da velocidade de conexão. Após um tempo de investigação, descobriram q alguns estavam se beneficiando da conexão com Servidores. Conclusão: A conexao ficou uma merda pois duas makinas ‘roubavam’ toda a conexão do predio. O problema foi resolvido (e ficou + caro) instalando pontos individuais e limitando a largura de banda… Mas, ainda assim, nao temos do q reclamar…
    Espero q um dia o Brasil chegue perto, pelo menos…

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  5. Junior Federici 10/07/2008 às 12:59

    Sem comentários, coitado dos japoneses foram limitados a 30 Gb de Up por dia, 900 GB por mês. To com dó , pois aqui no Brasil sei que isso vai demorar muito pra acontecer ou nunca.

    Viva o Brasil, o País dos deveres do cidadão, Direitos, não temos nenhum !

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  6. he he , eu recebi uma cartinha dessas, no começo do mes, soh que nenhum dos japoneses que conheço me souberam explicar, e o pior eh qdo liguei la so tinha tradutor para ingles.Valeu a noticia.
    Ta na hora de verificar as outras empresas daqui.

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