Adware e o crime virtual

Crackers (criminosos virtuais) também usam os sistemas dos bundles. Ao invés de criar sites, no entanto, eles invadem sites legítimos (como fizeram com o fórum da fabricante de processadores AMD). Os próprios criadores dos bundles, muitas vezes, se encarregam de invadir sites para incluir o código malicioso.

Dessa forma, o adware incentiva o crime virtual, pois dá retorno financeiro imediato ao criminoso que comprometer sistemas e instalar esses adwares.

De acordo com as políticas de distribuição das empresas de adware, no entanto, tanto os bundles como as instalações em computadores comprometidos não são permitidos. Quando elas descobrem que um de seus distribuidores está envolvido em distribuição ilegal, ela cessa os pagamento de comissões.

O problema é que as empresas de adware não possuem interesse em encontrar e terminar com os distribuidores ilegais, pois eles constituem uma enorme parte do número de instalações que ocorrem diariamente. Acabar com eles causaria uma enorme queda no número de usuários que estão com o adware instalado e, com isso, a empresa perde dinheiro.

Pesquisadores da comunidade anti-spyware, como Ben Edelman, têm constantemente revelado instalações ilegais dos programas das empresas de adware. Com as pressões do mercado e a publicidade ruim gerada pelas pesquisas de Edelman e de outros, as companhias, ao longo dos anos, foram forçadas a melhorar suas atitudes em relação aos distribuidores ilegais.

Empresas como a WhenU e Direct-Revenue cessaram completamente a distribuição de seus softwares (Save! e The Best Offers, respectivamente) através de distribuidores online. A única forma de obter o software de uma dessas empresas é instalando um dos programas patrocinados por eles, como é o caso do KaZaA (para o The Best Offers) e o Daemon Tools (para o Save!). Desde então, desaparaceram-se completamente registros de instalações ilegais dos produtos dessas companhias.

Outras empresas, como a Integrated Search Technologies e a eXact Advertising, pouco se importam com a forma de distribuição dos seus adwares. Adwares da “IST” são comumente instalados por meio de cracks (programas piratas), ActiveX, Plug-ins do Firefox e falhas no Internet Explorer. Não há sinal de legalidade vindo dessas empresas, o que indica que as instalações ilegais de seus programas não devem parar tão logo.

De quem é a culpa?

No meio de tanta ilegalidade, falhas de segurança e enganação, a culpa pode ser colocada nas empresas que distribuem adware, pois elas, sem dúvida, é que incentivam a criação de grande parte da corrente por onde passa o dinheiro.

Mas há quem diga que os verdadeiros culpados são os anunciantes. Grandes empresas pagam agências de publicidade para gerenciar a compra de espaço publicitário na rede. Algumas dessas agências compram o espaço das companhias de adware, fazendo com que essas grandes empresas financiem os adwares sem saber disso.

Várias dessas empresas já tomaram atitudes para policiar a distribuição de seus anúncios e tomar cuidado extra na escolha das agências, certificando que as mesmas não possuam nenhuma parceria ou relação comercial com as empresas desenvolvedoras de adware. Os esforços têm dado certo: muito dos anúncios de grandes empresas desapareceram de todos os adwares.

Mesmo indo por esse caminho, temos outro obstáculo, que são os anunciantes que realmente não se importam onde seus anúncios serão exibidos.

Uma solução fácil para todos esses problemas é que os usuários evitem interagir com qualquer anúncio exibido por adware. É o mesmo conselho dado para evitar o spam, que só é enviado devido ao retorno dado pelos usuários. Com o spam aumentando a cada ano, é possível que os adwares ilegais não desapareçam tão rápido como gostaríamos.

Escrito por Altieres Rohr

Jornalista e tradutor. Editor dos sites Linha Defensiva e Garagem 42 e colunista de Segurança Digital no portal G1 da Rede Globo.