O Procurador Geral do Estado de Nova York, Eliot Spitzer, processou a empresa de adware Direct-Revenue, conhecido pelo adware Aurora. O processo se baseia na acusação de que a Direct-Revenue instalou o Aurora e outros produtos adware sem o consentimento do usuário, utilizando-se de falhas de segurança e acordos de licença confusos em programas “gratuitos” que incluíam adwares da companhia.

A Direct-Revenue é a segunda empresa do ramo que Eliot Spitzer processa. Ano passado, Spitzer processou a distribuidora de adware Intermix Media, que pagou uma multa e não levou o processo adiante. “Esses aplicativos são fraudulentos e injustos aos consumidores, ruins para as empresas que dependem de uma rede eficiente para fazer o seu trabalho e ruins para vendedores online que precisam que seus clientes aproveitem e confiem na Internet. Nós vamos continuar do lado do usuário naluta para manter o controle da sua área de trabalho.”, disse o procurador.

A Direct-Revenue passou recentemente por uma grande reformulação, trocando o nome do seu adware para “The Best Offers” e eliminando a distribuição de adwares através de afiliados e parceiros. A companhia publicou uma nota dizendo que o processo trata-se penas das antigas práticas da empresa e, portanto, “não tem bases”.

Quando praticava as ações ilegais, a empresa faturou 6.9 milhões de dólares em 2003, 39 milhões em 2004 e mais de 30 milhões até outubro de 2005, de acordo com os diversos documentos relacionados ao processo, que estão sendo publicados pelo pesquisador anti-spyware Ben Edelman.

Os documentos publicados por Edelman possuem cópias dos e-mails enviados e recebidos pela Direct-Revenue, entre os quais estão diversas ameaças de morte recebidas pela empresa de usuários furiosos que receberam o programa sem saber, reclamações da dificuldade para se desinstalar o programa e também da agressividade dos anúncios.

E-mails internos da companhia revelam que a mesma possuía uma divisão chamada “Dark Arts” (Artes Negras), que era encarregada de certificar que o programa não fosse removido nem identificado facilmente. Algumas mensagens também sugerem que a empresa não incluiu uma opção de desinstalação fácil devido a possibilidade de diminuição de faturamento.

Os e-mails, que foram obtidos através de uma investigação conduzida pelo procurador geral, também mostram a reação da empresa com as diversas críticas e páginas informativas publicadas na Internet com instruções sobre como remover seus softwares. Em um dos casos, a empresa contratou um investigador para descobrir o endereço do pesquisador anti-spyware Patrick Jordan, que hoje trabalha para a Sunbelt Software, com o objetivo de silenciar as críticas. O investigador sugeriu enviar uma carta para o endereço da casa de Jordan para mostrar que eles “sabiam mais sobre ele”.

Com o processo, Spitzer quer que a empresa não envie mais anúncios aos clientes de adware já instalados e que sejam cobradas multas para cobrir os diversos danos causados por ela e seus softwares.

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Escrito por Altieres Rohr

Jornalista e tradutor. Editor dos sites Linha Defensiva e Garagem 42 e colunista de Segurança Digital no portal G1 da Rede Globo.

2 Comments

  1. É bom que estas empresinhas não achem que Internet é “Terra de ninguém”.

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  2. Além de todos os inconvenientes que estas “pragas” nos causam ainda podemos ser acusados de estar navegando em lugares que não os determinados pela empresa…
    Parabéns ao sptizer

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