Depois que chaves necessárias para decodificar filmes HD-DVD caíram na web, chegou a vez do Blu-Ray. Muslix64, responsável por decodificar o HD-DVD, lançou no dia 20 o BackupBluRay, software que permite a decodificação de filmes Blu-Ray. O programador também revelou um método para que sejam obtidas as chaves que seu programa precisa para decodificar os filmes.

Chaves para decodificar filmes como “Exterminador do Futuro 2” e “A Era do Gelo 2” já foram disponibilizadas no fórum especializado em edição de vídeo e DVD Doom9, onde toda a discussão sobre a criptografia dos discos está se realizando.

Como ocorreu com o HD-DVD, as chaves dos filmes Blu-Ray foram extraídas da memória de programas que reproduzem os filmes no computador. Trecho de um filme Blu-Ray foi disponibilizado na web para provar o funcionamento do BackupBluRay, mas o arquivo de vídeo já foi removido.

Antes de qualquer tentativa para se decodificar os filmes Blu-Ray ser realizada, surgiram boatos afirmando que o videogame Playstation 3 possuía uma falha que permitiria a cópia de qualquer filme do formato. O boato ainda não foi confirmado.

Um filme Blu-Ray utiliza o mesmo sistema de proteção que um filme HD-DVD, o AACS, com pequenas mudanças. O Blu-Ray ainda possui um outro mecanismo de segurança, o BD+, que não é utilizado em todos os filmes e ainda não foi burlado.

O funcionamento do AACS foi explicado, de forma simplificada, na primeira matéria sobre a quebra da segurança do AACS. O AACS prevê que chaves sejam quebradas e possui um sistema para desativar softwares e equipmentos tocadores de filmes inseguros, mas, quase um mês após a quebra da proteção dos softwares, nenhuma chave foi desativada.

Usuários no fórum Doom9 especulam que a organização responsável pelo AACS, a AACS LA, possa desativar as chaves utilizadas pelos softwares que reproduzem os discos, já que estes estão sendo o ponto mais fraco da corrente e permitindo que a proteção seja burlada. Já estão surgindo discussões sobre a extração das chaves dos players comuns, incluindo possíveis maneiras para se fazer a remoção segura dos chips protegidos que armazenam as chaves, no caso da extração das chaves nos softwares não ser mais possível.

A AACS LA exige que as chaves da criptografia sejam protegidas, o que levou alguns usuários a especularem que, caso não fosse possível proteger os softwares de reprodução de vídeo no Windows XP, estes seriam restritos ao Windows Vista. O Windows Vista possui recursos de “segurança” que auxiliam a proteção do conteúdo multimídia processado pelo sistema.

Entre os recursos de “segurança” colocados no Windows Vista para a proteção de conteúdo, de acordo com uma análise crítica publicada na web, está a impossibilidade de usar junto com “conteúdo comercial” qualquer saída de áudio ou vídeo que não proteja o conteúdo que passe por ela, mesmo que a qualidade dela seja superior a de outros formatos protegidos. O Windows Vista também possui a habilidade de desativar permamentente qualquer driver que possuir falhas que permitam cópia de conteúdo protegido, podendo reduzir a capacidade e a funcionalidade dos sistemas que necessitarem destes drivers.

Como os softwares que reproduzem os filmes ainda funcionam, um programa que permite a captura automatizada das chaves necessárias para a decodificação de filmes HD-DVD já foi publicado, tornando o processo de decodificação mais acessível. No campo do Blu-Ray, o BD+ continua seguro, pelo menos por enquanto.

As razões

Parte dos usuários do fórum Doom9 e outros que apoiam as iniciativas para burlar as proteções estão interessados em reproduzir os filmes em seu equipamento atual. A tecnologia de proteção dos filmes de alta definição exige um hardware específico que muitos usuários não têm interesse ou necessidade de comprar. O hardware não é necessário por ser de melhor qualidade ou mais rápido, apenas por possuir as proteções que o formato requer. Como foi explicado acima, as restrições serão ainda maiores no Windows Vista.

Não se pode negar que muitos estão contentes com a possibilidade da pirataria. Entretanto, alguns dos filmes (sem menus e outros recursos comuns do DVD) já estavam disponíveis na web antes de qualquer criptografia ser burlada. Grupos de pirataria organizada (chamados de Scene Groups) já disponibilizaram filmes que conseguiram copiar por meio da captura do conteúdo que passava pelo cabo de transmissão de vídeo, que é mais vulnerável do que os discos.

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Escrito por Altieres Rohr

Jornalista e tradutor. Editor dos sites Linha Defensiva e Garagem 42 e colunista de Segurança Digital no portal G1 da Rede Globo.

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