De acordo com um relatório publicado nesta segunda-feira (22/1) pela empresa de segurança Sophos, o Brasil foi responsável por 14,2% de todos os códigos maliciosos analisados em 2006, perdendo apenas para a China, origem de 30% das pestes virtuais. A empresa ainda completa afirmando que a maioria dos códigos brasileiros roubam senhas usadas em sites de Internet Banking, característica ainda inexistente de forma expressiva em pragas de outros países.

A maioria das pragas chinesas, diferentemente das brasileiras, dão o controle total do computador infectado ao criminoso, mas 17% delas roubam senhas utilizadas em jogos online. Uma justifica para isso (que não consta no relatório) pode ser a prática de “Farming” em jogos online, que é muito comum na China.

Farming consiste na obtenção de itens raros e dinheiro no jogo para vender para gamers dispostos a pagar dinheiro verdadeiro. As contas roubadas podem ter estes itens e facilitar o trabalho das organizações especializadas na venda de mercadorias virtuais. Uma reportagem de 2005 do New York Times estima que 100 mil chineses estavam empregados em tempo integral (12 horas/dia) para executar ações repetitivas em jogos online que são recompensadas com muito ouro virtual e itens raros.

Como a China, a maioria das pestes criadas na Rússia — responsável por 4,1% do total — também dão ao seu criador o controle total dos computadores infectados. Criminosos virtuais da Suécia também produzem pestes do mesmo gênero e foram responsáveis por 3,8% do total, seguidos dos ucranianos, que desenvolveram 3,4% do total.

Apesar de estar em segundo lugar entre os desenvolvedores de vírus, o Brasil não consta na lista dos 10 países que mais hospedam as pestes. Esta lista é liderada pelos Estados Unidos, seguidos pela China, Rússia, Países Baixos e Ucrânia.

O Brasil volta a aparecer na lista dos países que mais enviam spam, sendo responsável por pouco menos de 5% do spam. Nessa lista, o Brasil ficou na 7ª posição, atrás dos Estados Unidos, China, Coréia do Sul, França, Espanha e Polônia.

Mensagens indesejadas oferecendo produtos farmacêuticos foram as mais comuns, seguidas das mensagens que buscam elevar artificialmente ações de empresas fantasmas para aplicar um golpe em possíveis investidores. O número de mensagens de spam usando imagens cresceu de forma expressiva na tentativa dos spammers de passar pelos filtros anti-spam.

Criadores de vírus também estão mudando suas técnicas para passar por filtros, usando links para as pragas virtuais nas mensagens ao invés de colocá-las como anexos. Os pesquisadores da Sophos acreditam que as epidemais geradas por worms de e-mail vão diminuir em favor de ataques mais focados para dificultar que essas pragas ganhem uma grande atenção das empresas de segurança e da mídia.

A Sophos finaliza o relatório falando que, mesmo que muitas empresas acreditem que 2007 será um ano pior do que 2006 na área de segurança, o problema não é insuperável. “Criminosos continuarão tentando achar métodos novos e [mais difíceis de se detectar] para infectar os computador e roubar informações, mas boas práticas de segurança, proteção atualizada e um compromisso ativo com a divulgação de informação vão ajudar as empresas a protegerem suas redes”, comenta o documento em suas considerações finais.

O relatório, intitulado Security Threat Report 2007, pode ser baixado no site da Sophos.

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Escrito por Altieres Rohr

Jornalista e tradutor. Editor dos sites Linha Defensiva e Garagem 42 e colunista de Segurança Digital no portal G1 da Rede Globo.

1 comentário

  1. É, foi mostrar na TV explicando os procedimentos, até quem não entendia de computador agora tá nessa para “ganhar dinheiro”. :}

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