O blogueiro e fotógrafo norte-americano Keith McCammon publicou um alerta em seu blog: um certo prédio localizado no Condado de Arlington, no estado da Virginia, nos EUA, não deve ser fotografado. Motivo? A polícia local considera isto um risco à segurança de seus ocupantes.

Um policial que abordou McCammon e seu amigo, que passavam pelo local, informou que os dois estavam “tirando fotografias em uma área de alta segurança”. McCammon concordou em colaborar com o policial e dar a ele seus dados, mas fez uma reclamação junto ao departamento policial por não entender qual o problema em fotografar um prédio que nem estava marcado como sendo do governo.

O prédio pertence à Agência de Projetos de Pesquisa Avançada (Advanced Research Projects Agency) do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Mas, não estando marcado como tal, é impossível que pessoas que não tenham conhecimento prévio disso — como McCammon — saibam que a polícia local considera máquinas fotográficas um “risco” perto deste prédio.

A reclamação que McCammon enviou à polícia incluía um pedido para que lhe fosse entregue uma lista com todos os locais do Condado que não podem ser fotografados. Como resposta, foi informado que tal lista não existia, como ele já o esperava. Também recebeu uma cópia da política de “Inteligência e Prevenção de Terrorismo” do Condado, que permite que policiais abordem pessoas que carregam objetos perigosos como câmeras fotográficas e binóculos.

Como então o público, que quer evitar problemas com a polícia, vai saber quais os prédios que não podem ser fotografados, visto que não há uma lista nem marcação externa que indique isto? McCammon considera este tipo de situação absurda, pois está sendo penalizado por políticas arbitrárias e sem documentação clara. Ele ainda diz que este tipo de política apenas “perpetua o medo”.

O principal problema com este tipo de atitude é que, tornando qualquer cidadão um possível criminoso, as autoridades acabam ficando sobrecarregadas, tendo que gerenciar e investigar informação demais. Os verdadeiros terroristas podem estar entre estes “suspeitos”, mas, tornando todas as pessoas possíveis terroristas, é difícil descobrir quem são, de fato, os criminosos.

Felizmente, McCammon não ganhou uma ficha na polícia, de acordo com o chefe da polícia local. Mas a agência de segurança que ocupa o prédio recebeu os dados da atividade “suspeita” de Keith McCammon.

Outra tática norte-americana aplicada no combate ao terrorismo são escritores de ficção científica, que são consultados para “pensar o impensável”.

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Escrito por Altieres Rohr

Jornalista e tradutor. Editor dos sites Linha Defensiva e Garagem 42 e colunista de Segurança Digital no portal G1 da Rede Globo.

One Comment

  1. Pois é, e não é apenas nos EUA.
    Há menos de duas semanas passei por situação semelhante aqui no Brasil mesmo. Ao fotografar uma velha poltrona abandonada às margens de um rio, onde moro, devo ter ameaçado alguém…
    Em cinco minutos apareceu uma viatura com três policiais. Acho q perceberam o ridículo da coisa, mas não sem antes pedir documento, etc. Ao menos, rendeu um motivo para meu artigo no jornal local e alguns comments bastante interessantes no blog (www.contafios.blogspot.com).
    Tempos estranhos, estes…..

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